Casal que joga junto, empobrece junto: Quando o jogo deixa de ser diversão

Casal jovem sentado no sofá, cada um segurando o celular com aplicativo de apostas aberto, mostrando concentração e tensão.

Nos atendimentos clínicos, tenho recebido cada vez mais casais que chegam juntos, trazendo uma dor comum: o impacto do vício em jogos e apostas na vida a dois.

Muitas vezes, tudo começa de forma leve, até divertida. Apostar lado a lado, vibrar com a emoção de um gol, comemorar juntos uma vitória. No início, parecia apenas lazer, uma maneira de se aproximarem e compartilharem momentos.

Com o tempo, porém, o cenário muda. Pequenos ganhos alimentam a ideia de que “na próxima vez vai dar certo”. E, pouco a pouco, aquele hábito passa a consumir mais tempo, mais dinheiro e mais energia. O que era cumplicidade começa a se tornar peso: surgem dívidas, noites mal dormidas, discussões constantes e até dificuldades na intimidade. O vínculo afetivo, antes fortalecido pela parceria, começa a ser ameaçado.

Esse cenário é mais comum do que muitos imaginam. É por acompanhar de perto essas histórias que decidi escrever este artigo: para informar, conscientizar e mostrar que existe saída.

 

Por que um se vicia e o outro não?

É muito frequente ouvir a pergunta: “Se começamos juntos, por que só um de nós acabou desenvolvendo o vício?”

O vício não tem uma única causa. Ele é resultado da combinação entre genética, biologia e ambiente.

Algumas pessoas já nascem com uma predisposição maior para desenvolver comportamentos compulsivos. Outras têm um cérebro que reage de forma mais intensa à dopamina liberada a cada ganho, mesmo que pequeno, o que torna o ciclo do vício mais difícil de interromper. Além disso, fatores externos como estresse, dívidas, histórico familiar e até o grupo de amigos influenciam diretamente no risco de alguém se tornar dependente.

Ou seja, mesmo dividindo a mesma experiência, cada parceiro pode reagir de um jeito completamente diferente.

 

Como o vício em jogos e apostas começa?

Um casal aposta para se divertir. Vibra junto, cria expectativas, celebra cada vitória. Mas cada ganho libera dopamina no cérebro, e essa sensação de prazer imediato convida a repetir. Aos poucos, aumentam o valor das apostas, o tempo gasto e a crença de que será possível recuperar o dinheiro perdido na próxima rodada.

O lazer se transforma em compulsão. E a compulsão passa a afetar não só as finanças, mas também a relação e a intimidade.

 

Sinais de que o jogo passou do limite

O casal pode estar entrando em um caminho perigoso quando percebe que:

  • pensa constantemente em jogos ou apostas
  • sente irritação, ansiedade ou brigas quando não pode apostar
  • aumenta valores e frequência das apostas
  • esconde gastos, resultados ou dívidas
  • troca momentos de convivência por tempo em frente às telas
  • vive sempre na expectativa de recuperar o dinheiro perdido

Esses sinais mostram que o jogo já deixou de ser saudável.

 

O impacto na vida a dois:

O vício em jogos e apostas corrói o relacionamento aos poucos. Não é só o dinheiro que vai embora, mas também a confiança, a tranquilidade e até a intimidade do casal.

Em alguns casos, a cumplicidade que unia se transforma em um pacto silencioso de destruição: ambos seguem apostando, acreditando que “na próxima vez vai dar certo”. Mas a cada nova tentativa frustrada crescem as dívidas, as frustrações e a distância entre os dois.

 

Caminhos para a mudança

O vício em jogos de apostas é uma doença crônica, não tem cura, mas a boa notícia é que existe tratamento e ele transforma vidas.

A psicoterapia é tratamento padrão ouro na ajuda para identificar gatilhos, reorganizar pensamentos e construir estratégias de enfrentamento. Grupos de apoio oferecem acolhimento e a troca com pessoas que vivem a mesma realidade. Em alguns casos, o acompanhamento médico também é necessário. E o apoio da família, sem julgamentos, pode ser decisivo nesse processo.


As 3 perguntas que mais ouço de casais
que estão enfrentando o vício em jogos

  1. Casais podem se viciar juntos? Sim. Quando isso acontece, os impactos costumam ser ainda mais graves.

  2. É possível se recuperar do vício em jogos e apostas? Sim. Com psicoterapia, apoio familiar e grupos de suporte, muitas pessoas conseguem retomar o equilíbrio.

  3. O que fazer se meu parceiro não reconhece o problema? Buscar orientação profissional ajuda a lidar com a resistência e encontrar formas de apoio sem reforçar o ciclo do vício.

 

Como reconquistar a confiança como casal

Infelizmente, vamos que o vício em jogos e apostas não destrói apenas o bolso. Com o tempo ele mina a confiança, desgasta a intimidade e pode afastar quem mais amamos.

Mas existe caminho de volta. Com apoio adequado, é possível reorganizar a vida, recuperar vínculos e retomar o controle que parece perdido.

No meu trabalho como psicóloga, em parceria com o Instituto de Apoio ao Apostador (IAA), conduzo salas coletivas gratuitas, abertas tanto para quem deseja se libertar do vício em jogos quanto para familiares que sofrem com essa realidade. Esses encontros oferecem informação, acolhimento e troca de experiências, ajudando a transformar dor em aprendizado e esperança.

 

Atendimento particular via Zoom

 

Além disso, realizo atendimento dedicado particular, online via Zoom, em um espaço totalmente seguro e sigiloso, para que cada pessoa ou casal possa compartilhar sua história sem medo de julgamento.

Se vocês sentem que o jogo ou as apostas têm custado caro demais, em dinheiro, saúde ou até mesmo na relação íntima, saibam que não precisam enfrentar isso sozinhos. 

Agendem agora uma sessão de psicoterapia online e juntos vamos começar a virar esse jogo!

Aline Esteves Pierin​

Psicóloga apaixonada por psicologia e pela singularidade do ser humano – CRP-06/106150​

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